O PANTANAL
19 DE DEZEMBRO DE 2014
FAUNA PANTANEIRA

Um espetáculo à parte
 
No imaginário, Pantanal é sinônimo de bicho. Considerado um dos maiores centros de reprodução das Américas, quase toda fauna brasileira está representada nesta região. A deslumbrante planície apresenta aos visitantes o espetáculo raro de ficar frente a frente com animais de grande e pequeno porte. As aves são um espetáculo à parte, uma infinidade de cores exclusivas do universo pantaneiro. O tuiuiú, ave símbolo do Pantanal, é avistado livremente, com sua imponente envergadura (com asas abertas) que pode chegar a dois metros. As garças promovem revoadas, as capivaras passam aos bandos e os numerosos jacarés, figuras mansas, ficam à espreita, ao redor das lagoas ou dentro d'água. O cor-de-rosa dos colhereiros, as araras-azuis-grandes, os biguás e a esperança de ver uma onça-pintada ou uma sucuri refletem a diversidade única do Pantanal.


Tuiuiú ou jaburu (Jabiru mycteria). Foto: José Medeiros

Os períodos de secas e cheias modificam radicalmente as paisagens. Durante metade do ano as águas sobem e os animais não são avistados com frequência. Como estão adaptados à condição, refugiam-se nas áreas não-inundáveis, como as cordilheiras e capões. Já nos seis meses de seca, a fauna é encontrada facilmente. Os animais amontoam-se ao redor das lagoas para se alimentar dos peixes e plantas.
 
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Número aproximado de espécies catalogadas no Pantanal

60 anfíbios
80 répteis
120 mamíferos
550 aves
260 peixes

Fonte: Embrapa.
Dados gentilmente cedidos pelo pesquisador Rodiney de Arruda Mauro, da Embrapa Gado de Corte.
 
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A fauna distribui-se conforme o regime das águas. Durante a vazante, formam-se brejos e lagoas temporárias em depressões rasas, onde ficam retidos inúmeros organismos. Assim como nos corixos (cursos d'água temporários), quando as águas secam completamente muitas espécies de peixes ficam retidas. A alta densidade da ictiofauna desses locais estabelece as condições ideais para a alimentação e reprodução de aves migratórias. Em grupos numerosos, muitas vezes diferentes espécies agrupam-se em viveiros e ninhais repletos de aves que vivem em colônias.
 
Outra singularidade pantaneira é a fauna aquática, com mais de 260 espécies de peixes, cuja responsável é a inundação. Seja de couro, de escamas, de grande ou pequeno porte, essa abundância se reflete na cultura pantaneira, pois grande parte do povo vive da pesca e detém conhecimentos valiosos da cultura regional. A região tem mais de 3.500 pescadores profissionais e a modalidade de pesca esportiva (pesque-solte) é um incentivo ao turismo regional.
 
Com a chegada das estações quentes e chuvosas no fim da primavera e início do verão, começa no Pantanal um dos maiores fenômenos da natureza, a piracema, quando grandes cardumes de peixes de várias espécies sobem os rios em direção às cabeceiras para se reproduzirem (migração reprodutiva). A piracema ocorre nas regiões de grandes inundações, com espécies de importância para a pesca, como o pintado, o dourado e o pacu. Há espécies que ficam nas lagoas remanescentes até a chegada da próxima cheia, à espera de novo encontro com o rio, quando aproveitam para voltar ao leito e buscar um local para a reprodução. Outras espécies adaptam-se às lagoas e ali vivem e se reproduzem com um número reduzido de ovos. Este é o caso da piranha e do cará, espécies consideradas forrageiras, por servirem como alimento para os peixes maiores.
 
Ameaças à fauna
 
O desmatamento é um grande risco para a fauna da região, assim como a introdução de animais exóticos. No período da seca, as queimadas são uma grande ameaça para toda a planície. O hábito de queimar a pastagem para que se revigore na seca intensifica os males do clima seco e encobre a planície de fumaça. Por outro lado, algumas espécies da fauna, como o mexilhão-dourado, molusco que se alastrou pela região do rio Paraguai, causam entupimentos e invasão dos ambientes naturais.
 
Nos últimos anos foram desenvolvidos diversos projetos de sensibilização no Pantanal, buscando informar os fazendeiros e a população em geral sobre os perigos das queimadas. O quadro melhorou, mas a planície continua encoberta de fumaça nos períodos de estiagem. Essa situação representa um dos grandes desafios para a conservação das espécies pantaneiras.
 
Com a substituição natural de campos alagáveis por plantas invasoras arbustivas e arbóreas, ocorre hoje uma pressão sobre as cordilheiras para aumentar a pastagem do gado durante as cheias. Esta forma de manejo reduz os hábitats dos animais silvestres, que dependem desses locais como refúgio durante as enchentes. Manter a vegetação é condição básica para que a exuberância da fauna continue a existir. A arara-azul, por exemplo, prefere os galhos do manduvi para fazer seus ninhos; sem a árvore a reprodução da espécie pode ficar comprometida.
 
Vários animais frequentes na planície pantaneira estão na lista oficial dos animais ameaçados de extinção. Entre eles cervo-do-pantanal, lobo-guará, arara-azul, ariranha e a onça-pintada. Em outras regiões do Brasil esses animais foram praticamente extintos, mas no Pantanal são vistos com frequência. Só em Mato Grosso do Sul, estado brasileiro com a maior área do Pantanal, estão na lista oficial dos animais extinção 37 espécies. Entre as que desapareceram está a arara-azul-pequena.


Onça-pintada (Panthera onca). Foto: José Medeiros
 
Entre os animais mais ameaçados está a onça-pintada, animal de grande porte que necessita de amplo território para viver. O felino disputa com fazendeiros o espaço e não é bem-vindo, porque muitas vezes ataca rebanhos de gado para se alimentar, causando prejuízos econômicos. A diminuição das matas densas do Pantanal gera uma grande pressão aos hábitats e pode causar a extinção de espécies da fauna.
 
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- Este link apresenta figuras de Peixes do Pantanal contendo ficha em português e inglês, como o nome vulgar e científico e demais características.

 
Texto: Allison Ishy e Yara Medeiros. Permitida a reprodução desde que citada a fonte. 


 

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